Há empresas que têm contabilidade organizada, cumprem todas as suas obrigações e até apresentam resultados positivos, mas continuam a tomar decisões financeiras com alguma incerteza.
Não é necessariamente falta de organização. Muitas vezes, é simplesmente porque ter informação financeira não é o mesmo que ter gestão financeira.
O problema tende a aparecer aos poucos. Primeiro, numa decisão de investimento que exige demasiadas contas. Depois, num cliente que demora mais tempo a pagar. Mais tarde, numa fase de crescimento em que a faturação aumenta, mas a tesouraria começa a apertar.
Nenhum destes sinais, isoladamente, significa que uma empresa esteja em dificuldades. Mas quando começam a acumular-se, vale a pena parar e perceber o que está realmente a acontecer.
Estes são sete sinais a que um empresário deve estar atento.
Não consegue dizer, com confiança, quanto pode gastar
Imagine que surge amanhã uma oportunidade para investir €30.000. A pergunta não é apenas se existem €30.000 na conta bancária. A verdadeira questão é: depois desse investimento, a empresa continua a ter capacidade para pagar salários, fornecedores, impostos e restantes compromissos nos meses seguintes?
Esta resposta exige uma visão sobre o futuro da tesouraria, e não apenas sobre o saldo atual.
Uma empresa pode ter dinheiro disponível hoje e, ainda assim, enfrentar dificuldades de tesouraria daqui a dois meses.
Por isso, uma gestão financeira adequada deve permitir antecipar entradas e saídas de dinheiro e perceber qual é a margem de segurança existente antes de assumir novos compromissos.
Se esta resposta só aparece depois de fazer várias contas de cabeça, é um sinal a que deve prestar atenção.
A faturação cresce, mas o dinheiro não aparece
É uma das situações que mais confunde os empresários.
A empresa vende mais. O volume de negócios aumenta. O resultado pode até melhorar.
Mas a conta bancária parece dizer exatamente o contrário.
Isto acontece porque vendas e dinheiro não são a mesma coisa.
Quando uma empresa cresce, pode precisar de comprar mais mercadorias, contratar pessoas, suportar mais custos ou financiar projetos antes de receber dos clientes.
Se, além disso, os clientes pagarem a 60 ou 90 dias, o crescimento pode consumir uma quantidade significativa de capital.
É por isso que uma empresa pode estar a crescer e, simultaneamente, sentir maior pressão financeira.
Crescer é positivo. Crescer sem saber quanto dinheiro esse crescimento exige é que pode ser perigoso.
Não sabe onde a empresa ganha realmente dinheiro
Saber quanto a empresa faturou e quanto ganhou no final do ano é importante.
Mas pode não ser suficiente.
Imagine uma empresa com três áreas de negócio. Uma representa 50% da faturação, outra 30% e outra 20%. Será que a mais faturada é também a mais rentável?
Não necessariamente.
O mesmo acontece com clientes. Um cliente que compra muito pode exigir condições especiais, consumir demasiadas horas da equipa, gerar muitos custos indiretos ou pagar sistematicamente tarde.
Sem uma análise adequada, é fácil confundir volume com rentabilidade.
Uma gestão financeira mais aprofundada deve ajudar a perceber quais os produtos, serviços, clientes ou áreas que efetivamente contribuem para o resultado.
Essa informação pode alterar decisões de preço, investimento, contratação e até a estratégia comercial.
A pergunta importante não é apenas "quanto vendemos?", mas "onde estamos realmente a ganhar dinheiro?"
Os prazos de recebimento e pagamento acontecem sem uma estratégia definida
Quando é que os clientes pagam?
Quando é que a empresa paga aos fornecedores?
E qual é a diferença entre os dois momentos?
Se a empresa paga sistematicamente aos fornecedores antes de receber dos clientes, existe uma necessidade de financiamento no meio desse ciclo.
Isso pode ser perfeitamente normal. O problema é quando acontece sem ser medido ou gerido.
Uma negociação de melhores condições com fornecedores, uma política de crédito mais adequada ou um acompanhamento mais próximo das cobranças pode libertar dinheiro sem aumentar as vendas.
Por vezes, a melhor forma de melhorar a tesouraria não é vender mais. É gerir melhor o dinheiro que já circula no negócio.
A contabilidade está organizada, mas continua sem respostas para as decisões importantes
Este é provavelmente um dos sinais mais importantes — e também um dos mais mal compreendidos.
Uma boa contabilidade é indispensável. Mas não existe para responder a todas as perguntas que um empresário tem de enfrentar.
A contabilidade permite conhecer e interpretar o que aconteceu.
A gestão financeira procura, além disso, ajudar a perceber o que pode acontecer e o que devemos fazer perante diferentes cenários.
Por exemplo:
- Podemos contratar mais uma pessoa?
- Quanto podemos investir sem pressionar a tesouraria?
- Que faturação precisamos de atingir para suportar uma nova estrutura?
- O que acontece se as vendas caírem 10%?
- Temos capacidade financeira para abrir uma nova localização?
- Qual será o impacto de aumentar os prazos de pagamento aos clientes?
Estas perguntas exigem informação financeira, mas também análise, previsão e capacidade para ligar os números à realidade do negócio.
Ter os números disponíveis é importante. Saber utilizá-los para decidir é outra coisa.
A gestão financeira é feita quando surge um problema
Um fornecedor liga porque uma fatura está em atraso.
Um cliente não paga quando era esperado.
Surge uma despesa que não estava prevista.
É necessário recorrer ao banco.
Um investimento tem de ser adiado porque a tesouraria não permite avançar.
Uma situação pontual não significa necessariamente que exista um problema estrutural.
Mas quando estes episódios se repetem, pode existir um padrão: a empresa está a gerir financeiramente por reação.
A gestão financeira deve permitir antecipar períodos de maior pressão e preparar alternativas antes de existir urgência.
Não é possível prever tudo.
Mas é possível saber, com antecedência, quais são os principais riscos e onde existe menor margem para erro.
Quanto menos tempo o empresário passa a apagar fogos financeiros, mais tempo pode dedicar à gestão do negócio.
As decisões importantes são tomadas sobretudo com base na intuição
A experiência do empresário é um dos ativos mais importantes de uma PME.
Depois de anos a conhecer clientes, fornecedores, equipa e mercado, muitas decisões são tomadas quase instintivamente.
Isso não é necessariamente mau.
O problema surge quando a decisão é tomada sem perceber o seu impacto financeiro.
Contratar uma pessoa. Comprar equipamento. Aceitar um contrato de grande dimensão. Abrir uma nova unidade. Lançar um produto. Entrar num novo mercado.
Antes de avançar, é possível colocar os números em cima da mesa e testar diferentes cenários.
Quanto custa? Quanto esperamos vender? Quando começamos a recuperar o investimento? Que impacto terá na margem? E na tesouraria? O que acontece se as vendas forem inferiores ao esperado?
Os números não substituem a experiência do empresário.
Servem para que essa experiência seja apoiada por informação.
Afinal, qual é a diferença entre contabilidade e gestão financeira?
Esta distinção é importante porque uma empresa pode precisar das duas coisas ao mesmo tempo.
A contabilidade tem um papel fundamental na empresa: regista e organiza os acontecimentos económicos e financeiros, produz informação financeira e assegura o cumprimento das obrigações contabilísticas e fiscais.
A gestão financeira parte dessa informação para responder a outras questões.
Quanto podemos investir?
Quanto dinheiro vamos precisar?
Que clientes são mais rentáveis?
Qual é o impacto de determinada decisão?
Como estará a tesouraria daqui a três meses?
Que riscos devemos preparar?
É aqui que pode fazer sentido recorrer a um CFO externo.
Um CFO externo não é simplesmente alguém que prepara relatórios financeiros.
É alguém que ajuda a interpretar os números, construir cenários, identificar riscos e transformar informação financeira em decisões de gestão.
E não significa necessariamente contratar um diretor financeiro a tempo inteiro.
Para muitas PME, uma estrutura financeira interna dessa dimensão não seria economicamente racional. O recurso a um CFO externo permite ter acesso a essa capacidade de forma proporcional à dimensão e às necessidades da empresa.
"A contabilidade ajuda a perceber o que aconteceu. A gestão financeira ajuda a decidir o que fazer a seguir."
Precisa realmente de um CFO externo?
Talvez sim. Talvez ainda não.
O mais importante é perceber onde está a sua empresa e que tipo de informação está a faltar para tomar melhores decisões.
Se reconheceu dois ou três destes sinais, pode ser um bom momento para fazer essa avaliação.
Não necessariamente porque existe um problema grave.
Pode ser precisamente o contrário: porque a empresa está a crescer e a complexidade da gestão já ultrapassou aquilo que o empresário consegue acompanhar sozinho.
Na AlavancaPME, começamos por perceber a realidade da empresa antes de recomendar qualquer solução.
O Diagnóstico Financeiro Estratégico permite analisar a situação financeira, identificar riscos e oportunidades e perceber quais as áreas que merecem maior atenção.
A partir daí, poderá fazer sentido um acompanhamento mais próximo através de CFO Externo, um trabalho focado na Tesouraria ou simplesmente a implementação de ferramentas e processos que permitam à gestão tomar decisões com maior segurança.
Porque uma boa gestão financeira não serve apenas para resolver problemas.
Serve, sobretudo, para permitir que a empresa cresça com mais controlo, mais previsibilidade e melhores decisões.